Friday, December 22, 2006

Mar português

Para descrever MAR, o DVD gravado em 29 de junho de 2006 por ocasião da única apresentação do Lisboa Ballet Contemporâneo conjuntamente com o Madredeus, é preciso em verdade recorrer a um dos versos da canção “O Mar” (’O Espírito da Paz’, 1994): Não sei se vale a pena tentar-vos descrever…

Para os fãs acostumados com o universo do Madredeus e de suas canções, o espetáculo MAR é fascinante - a presença do Madredeus no palco não é apenas como grupo musical de acompanhamento à performance dos bailarinos, mas sim de parte integrante da coreografia: em diversos momentos Teresa Salgueiro é carregada pelos bailarinos, interage com eles, dialoga com as cenas que se passam ao seu redor… É fascinante, simplesmente genial, e melhor seria tentar mostrar tudo isso por meio de algumas imagens do espetáculo, que conta inclusive com a especial participação de Francisco Ribeiro, o ex-violoncelista do Madredeus.  As imagens foram obtidas do excelente site ‘Madredeus - O Sonho’ (veja na lista de links ao lado).

O DVD não tem previsão de lançamento no Brasil, mas ao se pensar no que ocorreu com os anteriores - “O Porto” e “Euforia” -, não deve por aqui chegar…

 

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Thursday, December 21, 2006

UM FUTURO MAIOR

Jorge Manuel Pereirinha Fernandes Pires é um jornalista e escritor lisboeta, professor de filosofia e tradutor, que em novembro de 1995 lançou o livro “Um Futuro Maior”, sobre a trajetórioa do Madredeus, que então completava nove anos de existência.  O livro, editado pelo Círculo de Leitores e pela Temas & Debates, encontra-se hoje esgotado.  No trecho abaixo, extraído do primeiro capítulo do livro, Jorge P. Pires fala sobre o impacto que a obra do Madredeus causou em Portugal, quando de seu lançamento nos últimos anos da década de 1980. 

“O pano não caíu, nem o silêncio se impôs bruscamente. Houve antes um suave crescendo nos últimos compassos, anunciando uma curva em direcção ao zénite. A janela de luz tornou-se então demasiado real, terrestre. Terminou a música, os músicos pousaram os instrumentos, levantaram-se das cadeiras e vieram à frente agradecer junto da cantora. Sorriem, entre si e para os outros. Felicitam-se uma vez ainda. O público, pela sétima noite consecutiva, levantou-se também e saudou de pé o espectáculo. São mais de mil, e há de todos. Os casais de gravata formal e vestido formal, lá à frente, logo atrás dos dignitários e dos representantes convidados para a sessão de hoje no centro cultural. Os velhos. Os novos, e os mais novos e os mais e menos ricos. As mulheres, os homens, as raças, os jornalistas. Alguns músicos conhecidos em várias tribos. Lá em cima, nos camarotes, mais casais janotas. Estão todos de pé, estão todos de igual, e se parecem emocionados, se estão emocionados, é porque essa é uma das funções dos espectáculos.

Afinal, encena-se para despertar no espectador as emoções e os sentimentos. Para que este os reconheça como verdadeiros e reconheça a presença deles em si. Para que, animado assim de alguma empatia para com a pureza dessa forma, ele possa tornar-se agente de um equilíbrio mais justo. E mais perfeito. E mais belo. No fundo, a ideia é a de que é possível transformar cada espectador num ser humano melhor, e empenhá-lo num processo em construção. Por isso se dizia, há muitos anos atrás, que os propósitos da arte são edificantes.

Mas não tenho grandes certezas acerca deste assunto, ou de outros. Sejamos realistas, práticos, porventura cínicos. À primeira vista, nenhuma das pessoas que aplaudem parece particularmente interessada em discutir conceitos estéticos, muito menos os de há duzentos anos. Sem eles sentem-se algo perdidos, com eles saberiam o que fazer?

O que farão amanhã?

Pensar que estes mais de mil serão pessoas diferentes quando regressarem lá fora, ao mundo de todos e ao universo de cada um, será talvez um sonho demasiado romântico. Há os que vieram por prazer, os que vieram por companhia; os do lazer, os do dever e os que admiram, sem outra atitude do que aquela que normalmente dedicam à vida. Também há os que aplaudem para manter o anonimato, os que depois acharão «interessante» em conversa corriqueira nas reuniões sociais, os que têm ideias sobre o assunto e hão-de fazer figura quando disserem que seria melhor de outra maneira…

Sejamos realistas, práticos. Será por hipótese a vida o que eles aplaudem, aquela representação da vida? Aquela manifestação de vida?

(…) É a última noite de uma semana em Lisboa, e a cidade natal teve de esperar desde a Primavera até agora (quase um novo ano!) para poder ver o espectáculo de «O Espírito da Paz», com a curiosidade aguçada pelas notícias sobre algumas das aventuras do grupo em terras longínquas - a Europa da cerveja e da manteiga, a Europa do vinho e do azeite, a Ásia dos mil odores, a orgulhosa Londres…

Os portugueses têm sentido alguma dificuldade em decidir como reagir a isto - não aos espectáculos (que continuam esgotados), à música ou aos discos (que continuam a vender-se), mas à notícia dessas campanhas e desses triunfos tão distantes que parecem algo irreais. Há muito tempo que ninguém viajava pelo mar alto, e por isso se esqueceu o que fazer com os navegadores. Mas essa hesitação tem também a ver com uma inédita inversão de termos, uma situação nova. Os navegadores de outros tempos tinham por missão regressar, e deslumbrar, com riquezas e delícias desconhecidas; e, ao invés, estes navegantes partiram levando consigo o tesouro que ninguém conseguira avaliar com precisão. Agora confirmou-se, é de facto um tesouro, mas o seu valor final continua a ser uma incógnita. Daí a estranheza: há algo que escapa neste regresso, talvez a visão inteira de todas as possibilidades em jogo.” 

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Wednesday, December 20, 2006

Videoclip: GUITARRA (1994)

Guitarra, canção do álbum Ainda (1996), é responsável pela cena favorita de Pedro Ayres Magalhães em O Céu de Lisboa, o filme de Wim Wenders recém-lançado no Brasil.  A voz de Teresa Salgueiro está perfeita nesta canção que marca o primeiro encontro do protagonista da película, o engenheiro de som alemão Gunter, com o grupo Madredeus.  A composição usou como letra trechos de versos tradicionais do fado português. 

 

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Tuesday, December 5, 2006

Balé inspirado na música do Madredeus é editado em DVD em Portugal

Teresa Salgueiro

O espetáculo MAR, uma feliz união da música do Madredeus e da dança do Lisboa Ballet Contemporâneo será lançado, em 11 de dezembro de 2006, em formato DVD em Portugal. 
 
A gravação foi realizada na única apresentação na qual os músicos do Madredeus e a companhia de dança dividiram o mesmo palco, realizada em junho de 2006 no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.  A direção é de José Pinheiro.
 
Bemvindo Fonseca, coreógrafo e bailarino da Lisboa Ballet Contemporâneo, disse que “a música dos Madredeus é muito dançável e, sem fazer uma narrativa, [ele tentou] ilustrar a música com a [sua] dança”.  O coreógrafo escolheu dezenove temas musicais do grupo, a maioria deles constante da última turnê do Madredeus intitulada Um Amor Infinito - reunião dos álbuns Um Amor Infinito e Faluas do Tejo.
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Monday, December 4, 2006

Madredeus reduzirá turnês a partir de 2007

Em entrevista concedida à Agência Lusa, Pedro Ayres Magalhães informou que o ano sabático que o grupo iniciará a partir de 07 de dezembro de 2006, data de sua última apresentação da turnê Um Amor Infinito, a ser realizado em Tóquio, será também um ano de reorganização do grupo em termos empresariais.

Segundo ele, o Madredeus irá reprensar sua programação de espetáculos internacionais para evitar os problemas financeiros, o que acarretará fatalmente em uma redução no número de apresentações em todo o mundo. Magalhães declarou que “o grupo que Portugal conhecia, que tocava oitenta vezes em sessenta cidades do Mundo, acabou”, e que isso não acontecerá mais a partir de 2007. Uma das razões dessa decisão conjunta dos músicos seria o receio de terem que recorrer a empréstimos para financiar suas turnês.

“Como autor posso encontrar outras saídas para divulgar o repertório passado. O meu trabalho foi fazer um repertório português e pô-lo no mapa, criar espectáculos dignos e divulgá-los em várias nações”, disse Pedro Ayres Magalhães. O anúncio das mudanças na forma de organizar a agenda do grupo, contudo, não reflete nenhum descontentamento com a turnê que ora se encerra. Para o Madredeus, esta quinta turnê mundial do grupo teria sido a melhor da carreira desta que é a mais famosa e bem sucedida banda musical portuguesa de todos os tempos.

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