Thursday, January 25, 2007

‘Você e Eu’: os fãs brasileiros agradecem!

Em uma série de disputadíssimas apresentações em São Paulo, Teresa Salgueiro experimentou a receptividade do público diante do repertório de Vocé e Eu, o álbum solo que deverá ser lançado em março de 2007, simultaneamente, em diversos países. As impressões positivas dos fãs foram praticamente unânimes - houve quem reclamasse do espaço da pequena casa de espetáculos escolhida, um clube de jazz com lotação de não mais de duzentas pessoas, e até mesmo alguns fãs que não simpatizaram com a decisão de Teresa Salgueiro em se dedicar a um repertório inteiramente composto de canções populares brasileiras… Mas, em geral, as opiniões foram muito positivas e aqui reproduzimos algumas delas, coletadas do Site Oficial do Madredeus e de duas comunidades do Orkut: Madredeus Brasil e Teresa Salgueiro. Ler esses depoimentos ajudam àqueles que não tieveram a sorte de ir ao espétáculo a ter uma pequena idéia da maravilha que é estar presente a uma das apresentações dessa que é uma das mais belas vozes femininas portuguesas:

O show da Teresa Salgueiro foi inesquecível! Ela é extremamente simpática, e a voz…essa, dispensa comentários…cantou quase 1h30, músicas das décadas de 20 à 70, e o septeto que a acompanhava era afinadíssimo, um show para nunca mais se esquecer… destaque para VALSINHA de Chico Buarque! O único aspecto negativo era a casa, muito desorganizada e pequena e permitiu a entrada de gente até 1 hora depois do início do show, mas ela, sempre sorridente, seguiu cantando, desempenhando brilhantemente o seu dom de cantar como ninguém! [Alexandre Pagliuca Gomes, São Paulo, Brasil]

SENSACIONAL - é a única palavra que consigo encontrar para descrever essa apresentação que acabo de presenciar. (…) Por mais que a ouçamos nos CDs/DVDs, ouvir essa mulher ao vivo é coisa de outro mundo!!!!! Fora a voz (por vezes angelical, por vezes de uma fortaleza inacreditável), o carisma, a simpatia, o jeitinho dela, a beleza (…), enfim, o conjunto todo de características da Teresa me deixaram embasbacada!  Os músicos da banda são igualmente MARAVILHOSOS, espero que o tal CD que vai ser lançado nos próximos meses seja gravado com eles… todos muuuito competentes, arrasaram nos respectivos instrumentos!!! Dava pra ver a alegria e a empolgação deles por estarem ali, a paixão pela música… (…) Até o sotaque “brasileiro” dela, que foi criticado por alguns, deu um charme especial às músicas. (…) [Solange Grossi, São Paulo, Brasil]

Maravilhoso! MPB com um sutil sotaque… foi delicioso de se ouvir!  Uma voz linda, perfeita… Simplicidade… Carisma… Energia… Elegância…  Simplemenste, incrível!” [Maria Augusta Simões Maduro de Moura, Guarulhos, São Paulo]

Conheci o Madredeus em 1996, um ano após a apresentação do grupo em minha cidade natal - que pena. Desde então, só tenho surpresas agradáveis com tudo relacionado ao grupo. Ontem, mais uma: assisti a uma das melhores apresentações da minha vida. É um grande orgulho ver músicos estrangeiros bem-tratarem nossa arte brasileira. O show começou aos poucos, ainda uma estrangeira a nos homenagear. Os arranjos, os músicos, o ambiente, todos a altura da inadjetivável Teresa. Acredito que presenciei um momento histórico. A platéia foi conquistada pela simplicidade e simpatia e, mais ainda, pela qualidade. Pequenos detalhes construíram interpretações de uma brilhante lusófona homenageando o brilhantismo lusófono, de maneira ímpar, supra-nacional, sem perder a riqueza da fusão do que se separa pelo Atlântico. Totalmente diversa  de tantos estrangeiros (não-lusófonos) interpretando músicas brasileiras: Coltrane, Getz, ou mais recentes, Jacintha, Nabatov, milhares… que foram também geniais em suas pessoalidades. Mas ela estava mais perto. Agradeço imensamente ao Madredeus por favorecer de alguma forma este projeto de Teresa Salgueiro e só resta dizer uma coisa a Teresa: “se todos fossem no mundo iguais a você”!” [Igor Campos da Silva, São Paulo, Brasil]

Estive no dia 13 de janeiro no show de Teresa Salgueiro, no Golden Cross Jazz Club, São Paulo, Brasil. Teresa Salgueiro - consagrada, respeitada, admirada como uma das mais belas vozes do mundo - não precisava gravar um disco de composições brasileiras. Não precisava tocar em um local pequeno, por preços “módicos”. Ela não precisava de nada disso para “solidificar” ou “alavancar” sua carreira. Mas ela quis. Quis sair da sua posição de conforto. Quis ousar. Característica louvável, se não essencial, num artista. Admiradora do grupo de longa data, fiquei emocionada com a generosidade dessa Artista. Em deixar-me vê-la de tão perto, num pequeno clube de jazz, em cima de um pequeno palco, cantando canções do meu país. Canções da minha terra, da minha infância. Em poder perceber que seus olhos brilhavam em certas músicas. Que suas mãos tremiam em outras. Em sentir uma emoção bilateral, recíproca. Inesquecível. Não foi sem motivo que o público a aplaudiu de pé. Faço coro: “se todos fossem iguais a você…””[Livia Pugliese, São Paulo, Brasil]

Agora é esperar o álbum e o DVD de “Você e Eu” para conferir que o talento de Teresa Salgueiro vai mesmo muito além de suas excelentes interpretações das canções do Madredeus!

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Monday, January 22, 2007

“O Mundo” de Rodrigo Leão

Pedro Ayres Magalhães sempre considerou o trabalho do Madredeus uma “oficina de criação musical” - e uma boa “oficina” só dá bons resultados se além do trabalho harmonioso em equipe houver também o florescer dos talentos individuais de seus integrantes. Um bom exemplo disso é a qualidade dos projetos solo dos integrantes do Madredeus neste ano sabático (leia matérias abaixo), mas talvez um dos mais pródigos trabalhos individuais surgidos do celeiro de talentos que é o Madredeus seja o de Rodrigo Leão.

Um dos fundadores de grupos antológicos da música portuguesa, como o Sétima Legião e o próprio Madredeus, este último juntamente com Pedro Ayres Magalhães, Rodrigo Leão (sintetizadores) deixou o grupo em 1993, de forma amigável (é sempre bom frisar isso em um mundo como o da música, onde os rompimentos entre integrantes de grupos musicais pode ser, por vezes, traumático…), no intuito de lançar-se em carreira solo. Seu primeiro trabalho, “Ave Mundi Luminar”, trazia o mesmo espírito atemporal da música que fazia já no Madredeus, buscando inspirações na herança medieval européia mas se valendo de uma roupagem absolutamente original e contemporânea. Desde então, Rodrigo Leão tem construído uma sólida carreira como compositor, arranjador, produtor musical e instrumentista, a qual lhe rendeu diversas turnês pela Europa.

Seu mais recente trabalho foi lançado em novembro de 2006, em Portugal. 0 álbum, intitulado “O Mundo (1993-2006)”, serve de retrospectiva para o compositor e também para matar as saudades dos fãs, que aguardavam um novo trabalho de Leão desde “Cinema” (2004).  ”O Mundo” marca os treze anos de lançamento do primeiro álbum solo de Rodrigo Leão, “Ave Mundi Luminar”, mas o álbum duplo traz para os fãs bem mais que apenas uma coletânea de antigos temas dos álbuns anteriores: seis canções inéditas, dentre elas “A Volta” (ver videoclip abaixo), bem como temas gravados em álbuns de outros artistas e cinco regravações de temas anteriormente lançados em seus cinco outros álbuns.  “O Mundo” traz curiosidades como uma versão remasterizada de “Tardes de Bolonha”, composição sua gravada pelo Madredeus, e regravações de sucessos do virtuose dos sintetizadores como “Ave Mundi Luminar”, “Carpe Diem” e “Ascensão”, este último uma regravação de um tema gravado originalmente pelo grupo Sétima Legião e inédito em gravação de estúdio.  Em todas as faixas, os fãs de Rodrigo Leão (e do Madredeus dos primeiros tempos) poderão encontrar as tessituras musicais tão características da obra do prestigiado artista. 

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Videoclip: VOLTAR (2006 - Rodrigo Leão)

Rodrigo Leão, ex-integrante e um dos fundadores do Madredeus, há alguns anos (desde sua saída do Madredeus, em 1993) desenvolve uma interessante e bem sucedida carreira solo como compositor e instrumentista. “Voltar” é uma canção inédita de um dos mais recentes trabalhos, seu sexto álbum, intitulado “O Mundo” - em verdade, uma coletânea de trabalhos de Rodrigo Leão de 1993 a 2006, com seis temas inéditos gravados especialmente para esta antologia.

 

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Mais detalhes de “La Serena”, o novo projeto solo de Teresa Salgueiro

La Serena, o projeto musical que, em 16 de Fevereiro de 2007, terá sua estréia nos palcos lusitanos, reunindo a vocalista do Madredeus, Teresa Salgueiro, e o Lusitânia Ensemble, é descrito por seus integrantes com a imagem de “uma sereia que parte da Península Ibérica e que vai viajando e ouvindo canções com que chama e encanta os marinheiros”.  A série de concertos (veja programação abaixo) que unirá no palco a voz de Teresa Salgueiro e o conjunto de cordas do Lusitânia Ensemble, fundado por Jorge Varrecoso, apresentará ao público esta viagem que atravessará musicalmente Portugal, Brasil, Itália, França e o continente africano por meio de “uma série de canções escolhidas entre várias latitudes e pertencendo a várias épocas”.

À imprensa portuguesa, nem Varrecoso, nem a cantora Teresa Salgueiro, confirmaram se “La Serena” tem previsão para lançamento em CD ou se o projeto irá se lançar em uma turnê internacional - como, aliás, é previsto para o outro projeto de Teresa Salgueiro neste ano sabático do Madredeus, o álbum e a série de concertos intitulados “Você e Eu”, no qual a cantora visita um repertório inteiramente dedicado à Música Popular Brasileira.  Mas os fãs da bela voz do Madredeus estão na torcida para que Teresa Salgueiro lance mais este álbum, que será então o terceiro de sua carreira paralela ao trabalho no famoso grupo musical português - se “Obrigado”, a coletânea de suas participações em álbuns de outros artistas mundo afora, for considerado como seu primeiro álbum solo.

 

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Saturday, January 20, 2007

O “Sal” de Fernando Júdice e José Peixoto

José Peixoto e Fernando JúdiceAtualmente em turnê com o álbum Pele, parceria sua com a cantora portuguesa Maria João, o violonista José Peixoto anuncia outro projeto para 2007, desta vez uma nova união de talentos com seu colega do grupo Madredeus, o músico Fernando Júdice. Sal é o título do novo álbum que os dois musicistas dividem com a fadista Ana Sofia Varela, um dos nomes mais promissores da nova geração do fado, e o percussionista Vicky, com quem trabalhou também no álbum Pele. O concerto de estréia deste novo álbum será realizado em 04 de Março de 2007, na cidade do Porto, Portugal.

Capa do álbum 'Carinhoso'O novo projeto, que reúne canções de raízes ibéricas e o fado português, é o segundo trabalho em parceria dos dois integrantes do Madredeus, que em 2002 lançaram o álbum “Carinhoso”, inteiramente dedicado ao repertório do compositor brasileiro Pixinguinha. “Sal” será o décimo-quinto álbum da carreira de José Peixoto, excluídos desta conta os álbuns que lançou com o Madredeus, grupo ao qual pertence desde 1993, quando foi lançado o álbum “O Espírito da Paz”. Fernando Júdice, por sua vez, também detém uma carreira discográfica considerável, sendo ex-integrante do antológico grupo Trovante e produtor musical requisitado no cenário musical português.

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Friday, January 19, 2007

“La Serena” Teresa Salgueiro

Imagem de abertura do site 'Alma e Voz', de Sérgio Freitas

Teresa Salgueiro parece estar a aproveitar como poucos o “ano sabático” dos Madredeus. Depois da estréia em janeiro, em São Paulo, do espetáculo “Você e Eu”, no qual apresenta um repertório inteiramente voltado para a Música Popular Brasileira, a vocalista do Madredeus trará aos palcos, em fevereiro, mais um novo trabalho solo. “La Serena”, um concerto no qual será acompanhada pelo quinteto de cordas Lusitânia, terá sua estréia na cidade portuguesa de Sintra e já tem datas agendadas para duas cidades espanholas e também para os Açores.

Ainda não há informações sobre o repertório escolhido por Teresa Salgueiro para este novo trabalho, nem se ele será lançado em CD como o recente “Você e Eu” (há a possibilidade de o espetáculo paulistado também ser lançado em DVD ainda em abril). A formação do grupo musical que a acompanha nesta nova empreitada, contudo, promete mais um trabalho de qualidade, valorizando a voz já consagrada de Teresa Salgueiro.

As informações são do mais novo site sobre Teresa Salgueiro, o Alma e Voz, cujo organizador é Sérgio Freitas, o mesmo do excelente Madredeus - O Sonho, sem dúvida a melhor referência sobre o Madredeus em língua portuguesa.

Eis a agenda de espetáculos de “La Serena”:

Fevereiro, 16 - Sintra, Portugal ………………….”La Serena”
Centro Cultural Olga Cadaval

Maio, 19 - Lorca, Espanha ………………………..”La Serena”
Teatro Guerra

Maio, 25 - Cuenca, Espanha ……………………..”La Serena”
Teatro-Auditorio de Cuenca

Junho, 1 - A. do Heroísmo, Portugal …………..”La Serena”
Centro Cultural e de Congressos

Junho, 2 - Ponta Delgada, Portugal …………….”La Serena”
Teatro Micaelense

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Tuesday, January 16, 2007

“PELE” une José Peixoto e Maria João

José Peixoto e Maria João

A música de José Peixoto, violonista e um dos mais prolíficos músicos do Madredeus retorna aos palcos e aos discos em parceria com a voz de Maria João, talvez a cantora de jazz portuguesa mais famosa internacionalmente. A colaboração dos dois músicos, que remonta já há alguns anos e soma diversos projetos em comum, vem agora na forma de um repertório formado por canções de José Peixoto com letras de Tiago Torres da Silva, Eugénia de Vasconcellos e do próprio compositor. O resultado é o´álbum “PELE”, que entra em turnê portuguesa neste mês de janeiro de 2007.

José Peixoto, além de violonista do Madredeus desde 1994, é um dos mais bem sucedidos músicos de Portugal, sendo bastante solicitado como compositor, intérprete e arranjador de trabalhos de diversos nomes da música portuguesa. Um de seus mais interessantes projetos, feito em paralelo à carreira bem sucedida no Madredeus, é CARINHOSO< um álbum feito em conjunto com Fernando Júdice, também do Madredeus, com repertório dedicado à obra do compositor brasileiro Pixinguinha.  Além disso, José Peixoto assina alguns dos mais belos temas dos mais recentes álbuns do Madredeus. 

Maria João, por sua vez, é uma das vozes femininas portuguesas de maior prestígio no cenário internacional.  Famosa por seus projetos diversos ao lado de Mário Laginha, é dela a voz que divide os vocais de dois temas incluidos por Teresa Salgueiro em “Obrigado” - “The One that I Love” e “Vozes”, esta última um tema composto por Mário Laginha. O encontro desses dois grandes nomes da música portuguesa contemporânea é apontado pela crítica lusitana como um dos mais belos álbuns lançados naquele país nos últimos tempos.

“PELE”, infelizmente, não tem previsão de lançamento no Brasil.

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Friday, January 12, 2007

Videoclip: NA BAIXA DO SAPATEIRO e CHOVENDO NA ROSEIRA (2007) - Teresa Salgueiro ao vivo em São Paulo

Em 10 de janeiro de 2007, Teresa Salgueiro realizou o primeiro concerto de um série programada de quatro apresentações de seu primeiro trabalho solo, Você e Eu, que deverá ser lançado em CD no mês de março próximo.  Os concertos de São Paulo - que, aliás, após esgotados os ingressos, ganharão mais duas noites extras, em 19 e 21 de janeiro - foram também filmados e deverão ser lançados em DVD ainda no mês de abril de 2007.  Clicando na imagem abaixo, você terá acesso a dois videoclips gravados na primeira noite de concertos pelo site SHowLivre - Teresa Salgueiro cantando “Na Baixa do Sapateiro”, de Ary Barroso, e “Chovendo na Roseira”, de Tom Jobim:

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Thursday, January 11, 2007

Eles e nós

Há que existir alguma razão secreta para essa distância falseada que os brasileiros criaram em relação à cultura portuguesa.  Essa impossibilidade de intercâmbios culturais maiores, que parece apenas vencida pela literatura - e, em grande parte, apenas pelos escritores mais renomados, motivados que fomos a abrir os olhos para a obra de um José Saramago depois de um Nobel de Literatura, por exemplo -, é algo que se nega nos discursos, mas que subsiste nas práticas da mídia que peremptoriamente ignora a moderna produção cultural portuguesa e parece de antemão prejulgar o fracasso daqueles produtos culturais nos quais a diferente pronúncia do Português Europeu impediria a assimilação (leia-se aquisição, compra, dispêndio associado a tais produções artísticas) por parte do grande público brasileiro.

E, no entanto, esses intercâmbios acontecem, e com cada vez mais freqüência, apesar do mito de que o português de Portugal é incompreensível para os ouvidos brasileiros, o que tem tornado a música, a produção televisiva, o cinema e o teatro portugueses talvez os produtos culturais mais estrangeiros em terras brasileiras.  Há exemplos recentes que mostram a existência de um movimento contínuo de trocas culturais que tornam tal estrangeirização da cultura portuguesa um fenômeno ainda mais risível do que já é - sobretudo em um país como o Brasil, em que os produtos culturais dos países de língua inglesa, uma língua que é falada por uma absoluta minoria no país, têm livre acesso a todos os meios de comunicação. 

Teresa SalgueiroUm desses projetos de intercâmbio cultural ganha hoje os palcos de São Paulo, e suas características mostram o quanto a contrapartida lusitana em relação à nossa cultura é bastante distinta.  Teresa Salgueiro, vocalista do Madredeus e uma das vozes femininas mais prestigiadas do cenário musical internacional, lançará em uma série de espetáculos programados para a capital paulista seu primeiro espetáculo como solista, intitulado Você e Eu.  Aproveitando-se de um ano sabático adotado pelos Madredeus para 2007, Teresa Salgueiro escolheu o Brasil para realizar os primeiros concertos de uma turnê mundial que pretende fazer a partir de abril próximo, um mês depois do lançamento do álbum de mesmo nome.  E que repertório escolheu aquela que é considerada a mais bela voz de Portugal da atualidade para este primeiro álbum solo?  Música popular brasileira.  Teresa Salgueiro gravou no Brasil, em 2006, com músicos brasileiros, cerca de vinte e duas canções que são clássicos de nossa música popular - de Vinicius de Moraes a Tom Jobim, de Chico Buarque a Pixinguinha, de Ary Barroso a Dolores Duran. 

Os espetáculos de São Paulo podem ser vistos como “a voz de Portugal que vem ao Brasil colher a bênção da platéia brasileira” para seu projeto, sem grandes exageros de retórica.  Teresa Salgueiro justificou a escolha dizendo que o projeto”era um sonho que tinha, mesmo não muito consciente”.  “Sempre tive uma grande paixão pela música brasileira, que eu ouço desde criança. Gosto de ouvir o som da língua portuguesa cantado assim”, disse Teresa Salgueiro em entrevista a um grande jornal brasileiro, ao citar Elis Regina, Gal Costa e Marisa Monte como algumas de suas vozes favoritas.   Para a vocalista que há vinte anos leva a música do Madredeus e a alma portuguesa aos diversos continentes do mundo, “a música brasileira é uma coisa incrível, um manancial imenso.”  Mesmo sendo a estrela internacional em que se tornou com o grupo português, sua relação com a música brasileira é respeitosa, algo devota:  ”É um luxo estar no Brasil e cantar as palavras do Vinicius, do Chico Buarque, do Dorival Caymmi”, compositores incluídos nesse repertório que, segundo ela, foi extraído de sua memória afetiva em relação ao que sempre ouviu de nossa boa música.

Diversos projetos realizados nessa última década poderiam ser citados aqui para mostrar o quanto de Portugal se vê hoje no Brasil e tudo o que de brasileiro se leva até Portugal.  Desde a exportação do Rock in Rio para Lisboa, como griffe de festival de rock, até as co-produções cinematográficas e televisivas (Os Maias, na Rede Globo de Televisão/SIC; Paixões Proibidas, na Rede Bandeirantes/RTP; a série de encontros musicais chamada Atlântico), passando por projetos musicais (como não citar os álbuns de António Chainho, Lisboa-Rio, ou o de Aldo Brizzi, Brizzi do Brasil, que reuniram músicos e cantores dos dois lados do Atlântico, mas que no Brasil passaram despercebidos?), muitas vezes a associação Brasil-Portugal surgiu no panorama cultural brasileiro, mas sempre de forma quase espectral, dispersa, esquecida da grande mídia (mesmo quando os produtos culturais eram das próprias corporações midiáticas!).  Parece não haver um interesse maior em romper as fronteiras do passado colonial, como se a recusa do que Portugal hoje produz culturalmente fosse desinteressante, desnecessário até, para os brasileiros - uma espécie de vingança, talvez, do tempo em que Portugal era nosso filtro da cultura ocidental? 

Maria BethâniaHá que se louvar, contudo, as iniciativas de artistas brasileiros que estão a fazer o movimento oposto, buscando valorizar aqui o que há de valioso no meio cultural português.  Uma das iniciativas recentes de maior visibilidade foi o lançamento simultâneo dos álbuns Mar de Sophia e Pirata pela cantora brasileira Maria Bethânia - o primeiro dedicado inteiramente aos textos da poetisa portuguesa Sophia de Melo Breyner Andressen, falecida em 2004, e o último à cultura popular do nordeste brasileiro.  Os dois distintos projetos dessa que é talvez a mais perfeita voz feminina brasileira da atualidade acabam por formar um interessante diálogo para o ouvinte mais atento, que percebe em duas propostas tão distintas o mesmo momento da cantora e a mesma alma - erudita em um, popular no outro, mas lusófona em sua essência e por isso irmanada em um só universo.  Maria Bethânia é, aliás, uma das artistas brasileiras que melhor representa essa busca pelo que seria um sentimento comum entre os dois povos: desde o início de sua carreira, Bethânia sempre incluiu em seus espetáculos a poesia portuguesa, seja dos poemas universais de Fernando Pessoa aos textos menos conhecidos de outros poetas portugueses não menos renomados, mas muitas vezes descuidadamente ignorados no Brasil.  Mar de Sophia mostra o quanto a dicção poética lusitana nos é próxima, familiar e possível de ser sentida e apreciada pelos ouvidos brasileiros.

Não, o Brasil não tem obrigação alguma de prestigiar essa ou aquela produção cultural tendo por base apenas critérios geográficos.  Falamos de qualidade, e perdemos muito, como brasileiros, ao ignorarmos o que os portugueses têm produzido recentemente na literatura, na música, nas artes plásticas, no cinema e na televisão por mera questão de estarmos ainda presos a uma certa preguiça de tentar compreender um sotaque que soa estranho ainda para alguns, mas que não é mais incompreensível que o de certas regiões do Brasil para outras partes de nosso mesmo país…  E por estarmos tão voltados para um sonho distante de Estados Unidos da América, por vivermos tão candidamente sob o domínio dos interesses das grandes gravadoras e editoras, que nos impregnam de cultura descartável em língua inglesa e nos fazem esquecer que há todo um mundo de outras culturas que produzem qualidade e beleza incessantemente, é que deixamos de conhecer, no caso português, o que de melhor é feito em nossa própria língua.  E deixamos de ler Lobo Antunes, Filipa Melo, Agustina Bessa-Luís, Sophia de Melo Breyner Andressen… e deixamos de ouvir Madredeus, Dulce Pontes, Né Ladeiras, Cristina Branco, Mísia, Mariza, Mafalda Arnauth, Sérgio Godinho… e deixamos de ver Manuel de Oliveira e Maria de Medeiros… só porque a MTV e suas correlatas - as rádios todas, os jornais, as televisões, as gravadoras multinacionais, as editoras presas por tentáculos anglo-saxões - assim não o querem.

Oxalá despertemos logo desse sono de tolice - e que seja ao som da voz de uma Teresa Salgueiro ou de uma Maria Bethânia.

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Wednesday, January 10, 2007

Teresa Salgueiro em carreira solo…e com os Madredeus!

Entre os dias 10 e 13 de janeiro de 2007, os paulistanos terão o privilégio de acompanhar os primeiros espetáculos do projeto solo ao qual a vocalista do grupo português Madredeus, Teresa salgueiro, pretende dedicar-se neste ano, escolhido pelo grupo como um “ano sabático” no qual irão repensar sua agenda de espetáculos e, individualmente, desenvolver alguns projetos individuais que estariam a planejar há algum tempo. 

O repertório dos espetáculos de São Paulo é uma prévia do alinhamento do álbum “Você e Eu”, gravado por Teresa Salgueiro em 2006 inteiramente com músicos brasileiros (e no Brasil), a ser lançado no mês de março próximo.  Essa primeira experiência de Teresa Salgueiro em um álbum solo (lembrando-se que “obrigado” tratava-se de uma compilação de temas gravados pela cantora em colaborações nos álbuns de outros artistas de todo o mundo) será, assim, brasileiríssima, a começar pelo repertório todo dedicado à música brasileira.

Os sortudos que presenciarão, a partir de hoje, a série de concertos no Golden Cross Jazz Club terão o privilégio de ouvir, em primeira mão, o que uma das mais bem sucedidas vozes femininas portuguesas preparou para o que pretende ser uma turnê mundial, a ser iniciada em abril, para a divulgação do álbum.  A banda que a acompanha, a mesma da gravação, é composta pelo pianista João Cristal e o clarinetista Nailor Proveta (da Banda Mantiqueira), entre outros, que conduzirão Teresa Salgueiro por uma viagem musical por clássicos da MPB como ”Você e Eu”, de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra, que dá nome ao projeto, além de composições de Tom Jobim, Ary Barroso, Chico Buarque, Pixinguinha, Dolores Duran e Dorival Caymmi.

Teresa Salgueiro, bem como todos os demais integrantes do Madredeus, desmentem as notícias de que o grupo estaria se separando.  Assim como a vocalista, os demais integrantes deverão surgir com novos projetos musicais ao longo de 2007, o que poderá enriquecer ainda mais o retorno do grupo ao estúdio, anunciado para 2008.

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