Wednesday, February 14, 2007

POESIA: “Teresa, mulher canto.”

Teresa SalgueiroTeresa…
Mulher gueixa,
cotovia,
ninfa,
sereia.

Mulher braços,
mãos,
rosto,
corpo.

Mulher canto,
conto,
encontro,
encanto.

Mulher mar,
amar,
voz,
paz.

Mulher som,
sintonia,
lira,
harmonia.

Mulher brilho da lua,
brisa do vento,
sal do mar,
calor do meio dia,
solstício.

 

 

Elineide Melo (poetisa - São João de Meriti)
[Escrito em 01/05/98, por ocasião do concerto do Madredeus na Praia de Icaraí - Niterói - RJ]

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Tuesday, February 13, 2007

Teresa Salgueiro: “Sinto-me muito bem acompanhada”

Teresa Salgueiro dedicará o ano de 2007 aos seus dois projetos como solista: o álbum de músicas brasileiras Você e Eu e ao outro trabalho, que ela chama de uma viagem musical por diversos continentes.  Em 12 de fevereiro de 2007, ela concedeu uma entrevista à Agência Lusa, reproduzida na matéria abaixo:

 

Teresa SalgueiroLisboa, 12 Fev (Lusa) - Em ano de pausa da banda portuguesa Madredeus, a vocalista do grupo, Teresa Salgueiro (foto), apresenta dois projetos musicais - um show e um CD -, nos quais a música brasileira tem papel central.

Nesta sexta-feira, Teresa Salgueiro estréia, em Sintra (região de Lisboa), seu espetáculo “La Serena”, no qual revisita canções de artistas como Tom Jobim, Caetano Veloso, Edith Piaf e Cesária Évora.

“A idéia era criar um concerto multilingue, que me permitisse cumprir o sonho de cantar outro repertório de canções que sempre gostei”, afirmou Teresa Salgueiro em entrevista à Agência Lusa.

Nessa viagem, Teresa Salgueiro passa pelo fado “Estranha forma de vida”, por “Unforgettable”, de Nat King Cole, e “Leãozinho”, de Caetano Veloso.

Teresa Salgueiro apresentará neste espetáculo um registro vocal e uma presença de palco diferentes das que lhe são conhecidas há mais de vinte anos nos Madredeus.

“Tenho o meu modo de estar em palco que me é confortável e que sempre vivi com os Madredeus, mas as canções deste repertório é que me levarão a estar de uma maneira ou de outra. Será uma aprendizagem”, disse a cantora. “Vou descobrir diferentes texturas da minha voz”.

Depois da estréia em Sintra, já estã o agendados shows na Croácia (24 de fevereiro) e na França (8 de março) e não está descartada a hipótese de registrar o repertório em álbum.

CD

Aproveitando a pausa sabática do Madredeus, Teresa Salgueiro lançará, em abril, o álbum “Você e eu”, com temas da música popular brasileira e da bossa nova.

Este será o primeiro álbum da cantora em nome próprio, depois de uma primeira experiência solo em 2005, quando saiu a coletânea “Obrigada”, que reúne duetos com vários artistas.

Teresa Salgueiro atravessou o Atlântico para gravar no Brasil, e com músicos brasileiros, em janeiro e maio de 2006.

“Você e Eu” recupera o título de um tema de Vinicius de Moraes, o primeiro que Teresa Salgueiro interpretou num palco.

“Eu nunca disse que um dia ia gravar um álbum de bossa nova ou de música brasileira. Sozinha nunca o faria”, garantiu Teresa Salgueiro, mas o desafio acabou por lhe ser feito no Brasil.

Para experimentar ao vivo as canções gravadas em 2006, Teresa Salgueiro atuou em janeiro deste ano em São Paulo, em seis concertos esgotados com os músicos com quem esteve em estúdio.

Em vinte anos dedicados aos Madredeus, esta é a primeira vez que Teresa Salgueiro embarca com mais regularidade em projetos pessoais, apesar de várias colaborações pontuais com outros artistas.

É uma nova aventura que conta com total apoio do grupo, sobretudo do seu fundador, Pedro Ayres Magalhães, que a impulsionou a avançar com o espetáculo e com o álbum “Você e Eu”.

“A minha escola de música é o Madredeus e o que aprendi em termos musicais e como cantora de Lisboa ficará em todos os registros, mas também tinha vontade de aprender outras coisas”, reconhece Teresa Salgueiro. “É uma novidade e uma responsabilidade, mas sinto-me bem e muito bem acompanhada”, resumiu.

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Thursday, February 8, 2007

Carlos Maria Trindade “sacando” novos talentos musicais

O estúdio de gravação e edição discográfica de Carlos Maria Trindade(integrante do Madredeus) e Luís Beethoven, chamado Música Nómada, em parceria com a editora Farol Música e o portal da Internet portuguesa dedicado à música chamado Cotonete, lançaram um concurso que pretende lançar no mercado fonográfico português os novos talentos ainda inéditos em disco.  Trata-se de Saca Talentos, um projeto destinado a descobrir “artistas solo, bandas, compositores e intérpretes, com ou sem formação musical, com mais de 18 anos e residentes em em Portugal”, os quais devem entregar os seus trabalhos - que devem ser originais e em língua portuguesa - até 15 de Março de 2007.

O júri do concurso será composto por experts em música representando o Cotonete, a Música Nómada e a Farol Música. Na primeira etapa, serão escolhidos vinte finalistas, dos quais sairá o vencedor final, cujo prêmio maior será a gravação de singles em formato digital nos estúdios da Música Nómada para venda online e um possível contrato com a Farol Música para o lançamento de um álbum. O regulamento pode ser acessado clicando-se na imagem acima.

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Wednesday, February 7, 2007

Lançamento de “Escritos de Viagem - à volta do mundo como músico dos Madredeus”

O ano sabático dos Madredeus mostra-se não como uma pausa para descanso do grupo, mas como um momento escolhido para que os muitos projetos de seus integrantes possam vir à luz. O mais recente deles é o livro lançado por Carlos Maria Trindade, ainda no início de 2007, intitulado Escritos de Viagem - à volta do mundo como músico dos Madredeus.

Pedro Ayres Magalhães e Carlos Maria Trindade - foto tirada em uma das turnês internacionais do MadredeusMas que meramente um diário de viagens das longas turnês do grupo Madredeus, o livro de Carlos Maria Trintdade, que conta com belas ilustrações de Luís Lázaro e foi distribuído em Portugal exclusivamente em bancas de jornais ou pelo site do “Diário de Notícias” de Lisboa, é o curioso registro do olhar de um músico português em viagem pelo mundo, trazendo em si olhares para o passado e percepções presentes dos lugares visitados e das pessoas com quem o grupo travou contato levando sua música para tão distintas culturas. Diz Carlos Maria Trindade que “esta colectânea de textos não pretende ser o diário de viagem de um grupo no seu sentido quotidiano e descritivo, traduz sim uma visão pessoal do mundo enquanto “nómada de luxo” (utilizamos o avião em vez do camelo), ao longo de 8 anos de deambulações que tenho feito integrado na comitiva Madredeus, de 1994 até hoje.”

A seguir, reproduzimos um trecho do livro, publicado no blog> do jornalista Jorge P. Pires, autor do livro Um Futuro Maior, sobre o Madredeus:

“O primeiro emprego à chegada a Londres foi num hotel em Belgrave Road, perto de Victoria Station. Entrávamos às 8 e saíamos às 3 da tarde e fazíamos todo o tipo de tarefas. Arrumar os quartos, aspirar corredores, tratar da roupa suja, lavar a louça dos pequenos-almoços. Ganhávamos 16 libras por semana cada um e vivíamos num parque de campismo da zona periférica do sul da cidade. Demorava mais de uma hora de autocarro para chegar ao trabalho, por ruas e ruas que eu achva muito parecidas, comprédios de tijolo de dois andares todos iguais. À tarde sobrava-nos tempo para ver algumas exposições, investigar as livrarias ou simplesmente passear pelas ruas antes de, ao fim da tarde, abandonar o centro e regressar à zona do parque de campismo.

Capa do livro de Carlos Maria TrindadeDemorou mais de 3 meses até arranjarmos um apartamento minúsculo no bairro indiano de Clapham South. Foi um alívio arrumar a tenda canadiana que tinha sido a nossa casa e viver debaixo de um tecto como toda a gente, até porque se aproximava o inverno, que em Inglaterra não é para brincadeiras. Un dias depois, já no apartamento, acordámos com a cidade coberta por um manto de neve e congratulámo-nos com a nossa sorte.

Os empregos foram evoluindo, deixámos a hotelaria e arranjámos trabalho mais bem pago em fábricas de todo o tipo. Desde a lavandaria de um hospital em Lewisham até uma fábrica de manteiga não muito longe da Tower Bridge, experimentei de tudo um pouco. Acabei por ser despedido porque nesse verão as temperaturas em Londres subiram excepcionalmente até aos trinta e muitos graus, a manteiga derretia e ficava às voltas nas rotativas em vez de se deixar embalar pelo papel vegetal.

Por iso estava ali à beira do Tamisa e pensava como, 28 anos depois, tudo tinha mudado. A cortina de ferro e o Muro de Berlim entretanto caíram, o movimento hippie e o comunismo transformaram-se em falhanços, a minha namorada nunca mais a vi nem soube dela. Portugal revoltou-se contra a ditadura e foi, passadas duas décadas, admitido na Europa e eu estava de volta a Londres, mas desta vez instalado num excelente hotel a fim de fazer um concerto como músico profissional português numa fabulosa e mítica sala de espectáculos inglesa mesmo ali ao lado, o Royal Festival Hall. Alguém tratava agora de fazer a minha cama e arrumar o meu quarto, talvez um jovem que daqui a uns ano se hospedará tamém num bom hotel e por aí fora…”

Extrato publicado no site Brava Dança
[Carlos Maria Trindade, Escritos de Viagem - À Volta do Mundo como Músico dos Madredeus, Lisboa: Corda Seca, 2006, pp. 146-147]

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