Saturday, August 25, 2007

Silence, Night, Dreams - and the voice of Teresa Salgueiro

Uma entrevista de apresentação de Silence, Night & Dreams, projeto do compositor polonês Zbigniew Preisner com participação de Teresa Salgueiro.  No vídeo, trechos de algumas das canções do projeto e entrevistas com Preisner e com Teresa - Preisner elogia o registro claríssimo, puro, angelical de Teresa, e a cantora portuguesa fala do desafio de cantar peças que beiram o erudito, em registros tão distintos dos que ela costuma usar no Madredeus:

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Wednesday, August 22, 2007

Videoclip: ‘As Montanhas’ - Quarteto Pererê

Quarteto Pererê - Kiko, Edson Tadeu, Tchelo Nunes e Alessandro Ferreira O Quarteto Pererê é um grupo paulistano que há cinco anos desenvolve um projeto de música instrumental inovador e tão brasileiro quanto o nome do grupo.  Seu primeiro álbum, “Ebulição” - já esgotado - trazia composições próprias e releituras de clássicos de Villa-Lobos e Eric Satie, entre outros.  O grupo, que já inclui em seu currículo apresentações na Europa, é também fã do trabalho do Madredeus, tendo em seu repertório peças como “O Tejo” e “As Montanhas”, que no belo videopoema abaixo - “Um Olhar…As Montanhas” dirigido por Mari Rizzo - serve de trilha sonora.  “As Montanhas” é uma das faixas do próximo trabalho do quarteto, intitulado “Balaio”, a ser publicado ainda no segundo semestre de 2007.

O Quarteto Pererê é formado por Alessandro Ferreira (violão), Edson Tadeu (gaita de boca), Kiko Carneiro(violão) e Tchelo Nunes (violino). Para maiores informações, acesso o site do grupo: http://www.quartetoperere.com.br/.

alt : http://www.youtube.com/v/DdcsmTfqIa4

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Friday, August 10, 2007

Não muito distante

MyleneO Brasil do século XX virou as costas para a cultura portuguesa. Era, talvez, a forma naturalmente encontrada pelos intelectuais de reafirmar a independência de uma nação brasileira que então dava seus primeiros passos. A década de 1930 talvez seja aquela na qual a ruptura tenha sido mais fortemente sentida - é a época na qual a literatura brasileira, por exemplo, passou a influenciar os escritores lusitanos, em uma inesperada reação da ex-colônia americana que depois se expandiria à música e, mais recentemente, à produção audiovisual. Infelizmente, tal movimento de ignorância crescente à produção cultural portuguesa é fruto tão-somente de uma espécie de revanchismo colonial - que fez os intelectuais latino-americanos afastarem-se, por algum tempo, do que se fazia na Espanha, por iguais razões - somado a um preconceito irracional dos brasileiros com relação ao léxico e à prosódia do português falado na antiga metrópole. Uma pena, pois Portugal é hoje um dos países europeus de produção cultural mais rica e instigante, voltado para o futuro sem o abandono do rico passado - um erro histórico cujas más conseqüências outros países europeus já começam a sentir.

A literatura portuguesa ainda freqüenta as prateleiras de nossas livrarias - graças às proezas de um Saramago, primeiro prêmio Nobel em literatura de língua portuguesa -, mas a música produzida em terras lusitanas ainda é solenemente ignoradas por nossas rádios e emissoras de televisão. Nas últimas décadas, apenas um grupo musical português parece ter alcançado relativo sucesso no Brasil - a ponto de motivar a edição de uma antologia composta exclusivamente para o mercado brasileiro -, ainda assim um sucesso que é mais mensurável por sua inevitável lotação esgotada nos concertos que aqui fizeram que, propriamente, pela presença na mídia. O Madredeus - com sua música atemporal, fincada na tradição mas moderníssima em sua concepção - ganhou fãs ardorosos de sua música no Brasil e algumas releituras interessantes de suas canções, de artistas como Rebeca Mata e Zizi Possi. Não seria exagero dizer também que o sucesso do Madredeus no Brasil, a partir dos primeiros anos da década de 1990, motivou a vinda de outros grandes músicos portugueses - gente da qualidade de uma Dulce Pontes, de uma Mariza, de uma Né Ladeiras - e o interesse de músicos brasileiros pela nova música que surgia naquele país que até há pouco era apenas uma metrópole distante, cujo traço cultural mais forte para os brasileiros residia em seu folclore e sua ruralidade pitoresca.

MyleneSe o Brasil devia à música de Portugal algum tributo, este foi bem pago pelo surgimento de Não Muito Distante, álbum da cantora e compositora Mylene Pires. Ela usa sua voz suave, encorpada e tão brasileira à serviço de dezesseis temas do Madredeus, abrangendo todas as fazes desses vinte anos de carreira da banda portuguesa mais conhecida em todo o mundo. Apesar de ser um álbum de regravações, o trabalho de Mylene é surpreendente: a cantora não se limita a reproduzir os arranjos primorosos do Madredeus, tampouco se prende às influências dos vocais de Teresa Salgueiro, ou tenta imitar alguma alma portuguesa que se encontra com facilidade nessas canções. O trabalho de Mylene é, deliberadamente, de recriação: ela encontrou, em cada canção do Madredeus, suas raízes brasileiras - já presente na música ou sugerida pelo espírito das letras ou pelos temas. Assim, a Oxalá bossanovista de Pedro Ayres Magalhães transforma-se em um candomblé suave, a emblemática O Pastor torna-se um forró melodioso e a belíssima Haja o que Houver ganha sonoridades de folia de reis. Nada, em suas recriações da obra do Madredeus, é óbvio ou gratuito. As canções tão conhecidas dos fãs do Madredeus ganham um frescor novo nessas sonoridades tão brasileiras, e a sensação que se tem é a de que A Andorinha da Primavera sempre fora uma marchinha carnavalesca à anos 1920, ou que A cantiga do Campo era um ijexá trazido às nossas fazendas de café pelos antigos escravos… Tudo é surpreendente - e belo.

Se para o fã do Madredeus uma primeira audição desses temas é um misto de estranhamento e excitação, a sensação que resta depois de algumas audições é de puro encantamento. Afinal, como explicar que soem tão bem O Pomar das Laranjeiras em ritmo de samba-canção ou O Menino - talvez uma das mais intrigantes faixas do álbum - cantado por um coral guarani acrescido das vozes rascantes de rezadeiras nordestinas? Não muito distante é um álbum de redescobertas - das letras bem construídas e das ricas melodias dos portugueses do Madredeus, da sonoridade da música brasileira, das raízes comuns entre os dois países que tanto tem em comum.

Infelizmente, como estamos em um Brasil que ainda se volta de costas às suas origens - tanto lusitanas quanto latino-americanas -, o álbum de Mylene, inteiramente gravado no Brasil, ganhou edição apenas em Portugal, que está a recebê-lo como uma das grandes novidades do ano. Oxalá a voz de Mylene consiga atravessar o oceano de volta ao lar e que aqui encontre a acolhida que merece. Pois, além de fazer um excepcional trabalho de recriação da obra de um dos mais instigantes grupos musicais de Portugal, a voz de Mylene é afinada, doce e deliciosa de se ouvir.

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Monday, August 6, 2007

A Lisboa de Teresa Salgueiro

Teresa Salgueiro«Lisboa é uma cidade cheia de murmúrios do passado» 09 | 07 | 2007 08.35H

Teresa Salgueiro, voz da cidade que as canções do Madredeus eternizaram, amante persistente dos pátios de bairro onde Lisboa ganha uma «certa impressão de aldeia», partilha percursos, visões e miragens. Moradora em perpétuo trânsito que sonha mudar a casa para outra rua. (entrevista concedida a Margarida Caetano, da revista Destak.PT)

Por onde anda, durante o dia? Se estiver em tournée, a dormir. Quando estou em lisboa tenho sempre muitas coisas para fazer. Geralmente, faço ginástica, vou para o estúdio ou para teatro (se tiver algum espectáculo), canto e volto a dormir.

Já cantou em 38 países e está habituada a muitas ruas. As de Lisboa são diferentes? As ruas de Lisboa falam a minha língua e isso é suficiente para as tornar logo diferentes. E são sinuosas e têm becos e vielas e levam a largos e pátios que lhe dão uma certa impressão de aldeia.

Uma aldeia com muito trânsito e muitos carros… Como nunca tirei a carta e não sei conduzir, não me enervo no trânsito. Quem leva a minha filha ao colégio é o pai, por isso eu estou livre até desse ritual diário.

Quando passeia, tem algum percurso de eleição? Ah, adoro ir para a Baixa e para Alfama a pé! Mas a minha zona preferida é a da Sé, aquele pedaço da Igreja de Santo António: não sei explicar, não sei se tem a ver com o facto de ter sido erguida sobre a casa onde se diz que ele nasceu, mas há ali qualquer coisa, uma energia muito forte e boa, que vem da pedra. Acho que é um lugar mágico dentro da cidade.

Lisboa potencia sensações esotéricas? Não sei se esotéricas, mas sem dúvida que estas sete colinas têm muita força. Lisboa é uma cidade luminosa, cheia de referências e murmúrios do passado. Digamos que sou viciada em consumir com ela todos os bocadinhos livres que me sobram para deambular.

De que ângulo Lisboa lhe parece uma cidade mais bonita? Vista do ar, Lisboa é uma visão maravilhosa, seja na chegada, na partida, a que hora for. É um território abençoado. Até na luz que recebe: tem assim uma espécie de Primavera que lhe dura o ano inteiro.

Teresa SalgueiroO que é que uma casa tem de ter para aspirar a ser sua? Um quintal! Para a minha filha poder ter um cão. Além do mais, acho que estar ao ar livre é a coisa melhor que há: poder estar em casa na rua. E isso eu não tenho. Tenho só uma varandinha, onde pus umas plantinhas, mas não tem nada a ver.

Mudar de casa é uma decisão para adiar ou para apressar? É uma vontade muito antiga que o trabalho me obriga a adiar. Mas a verdade é que ainda não fiz nada para realizar esse sonho: morar numa Lisboa que me diga mais ao coração. Assim sendo, não me posso queixar, porque nem me coloquei à procura.

Traz alguma zona da cidade “debaixo de olho”? Lisboa sempre me soou encantadora na Graça, na Bica, no Bairro Alto. É aí que, para mim, ela é uma cidade de verdade, próxima do que um lugar para morar deve ser. Mas também não me importava de morar em Belém.

Um bom momento em Lisboa é passado a… … em casa, à volta da mesa, em família. O meu marido cozinha muito bem. Não somos de coisas muito elaboradas, mas gostamos de nos reencontrar à mesa. Ou na salinha onde tenho o meu piano e posso ensaiar ou organizar papeladas acumuladas entre viagens.

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Wednesday, August 1, 2007

LA SERENA: o repertório

Por ora, não há previsão alguma de Teresa Salgueiro retornar ao Brasil - recentemente ela fez temporada de sucesso em São Paulo e Rio de Janeiro com Você e Eu, seu concerto inteiramente dedicado à música popular brasileira. Muito menos a de vermos em palcos brasileiros ao concerto La Senena, no qual a vocalista do Madredeus viaja pelo universo musical latino acompanhada do Lusitânia Ensemble.

Para este último projeto, Teresa optou por um repertório que mescla belíssimas canções da Itália, França, Brasil, México, Cabo Verde, Portugal, Argentina e Estados Unidos, numa viagem imaginária pelo Atlântico e Mediterrâneo. Estão lá as brasileiríssimas Velha Infância (Tribalistas), Leãozinho(Caetano Veloso) e Se Todos Fossem Iguais a Você (Vicinius de Moraes), mas também standards conhecidos em todo o mundo como La Vie en Rose, Unforgettable e Caruso. Mar Azul, uma das canções mais emblemáticas da caboverdeana Cesaria Evora, e Estranha Forma de Vida, marca registrada da grande Amália Rodrigues, e , canção-ícone de Chavela Vargas, mostram o respeito de Teresa Salgueiro pelas grandes vozes femininas de nosso tempo. E mesmo o repertório do Madredeus não foi esquecido: está lá, Amanhã, uma das mais belas faixas do álbum de estréia do grupo, Os Dias da Madredeus, que está a completar vinte anos.

O projeto nasceu de uma sugestão do  próprio Pedro Ayres Magalhães (fundador do grupo Madredeus) em julho de 2006.  Foi ele quem apontou o nome de Jorge Varrecoso, que fazia parte do então Quinteto Lusitânia, e a idéia deixou Teresa Salgueiro entusiasmada.  Aos poucos, foi surgindo a idéia de criar um concerto multilíngue que lhe permitisse visitar novamente os países nos quais, durante tantos anos, a cantora sempre foi tão bem recebida como a “voz do Madredeus“.  Para isso, Teresa escolheu esse conjunto de canções que foi recolhendo de suas viagens, de diferentes origens - do Cancioneiro Sefardita, das canções portuguesas, italianas e francesas, da música popular de Angola, Cabo Verde, Brasil, México e Argentina.

As primeiras conversas com Jorge Varrecoso gereram o convite de Teresa Salgueiro para que ele fizesse os arranjos para as canções que escolhesse da extensa lista que a cantora lhe entregou. Ele entusiasmou-se com a proposta e, para atender ao projeto da cantora, nascia o Lusitânia Ensemble, do qual ele é atualmente o diretor musical.

Teresa Salgueiro e Jorge Varrecoso escolheram, juntos, o repertório final do projeto, privilegiando as canções que julgaram ser mais significativas por conta de seus compositores e intérpretes originais.  Os arranjos seguiram as gravações originais dessas canções, mas dando a devida “nova personalidade” às canções agora cantadas pela bela voz de Teresa Salgueiro.  O resultado motivou-os a iniciar a série de concertos ao vivo e a buscar o registro futuro em um álbum a ser lançado, a princípio, ainda em 2007.


O nome programático de “La Serena” também foi sugestão de Pedro Ayres Magalhães, que apoia integralmente os novos projetos da cantora: ”Podemos imaginar que esse personagem da Sereia que esta canção evoca é atraída na sua morada marítima pelos sons de diversas músicas e dirige-se a vários pontos da costa onde aprende as canções que depois canta no seu chamamento”.

Há duas décadas, Pedro Ayres Magalhães e Rodrigo Leão buscavam uma voz feminina que pudesse complementar o projeto que tinham de compor música contemporânea com alma portuguesa. Esses vinte anos de estrada e aprendizado mostram que a inexperiente menina de dezessete anos que encantou os portugueses com sua voz única está mais que preparada para enfrentar qualquer repertório com domínio pleno de sua arte.

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