Wednesday, October 31, 2007

‘Sal’ além-fronteiras

Sal - Vicky, Ana Sofia Varela, Fernando Júdice e José Peixoto

No ano sabático do Madredeus, José Peixoto e Fernando Júdice uniram-se no projeto Sal, que conta com a voz de Ana Sofia Varela e a percussão de Vicky. No momento, eles estão a encerrar uma turnê por Portugal, com planos de levar esse trabalho a outros países. Em entrevista ao DIÁRIO AS BEIRAS, José Peixoto, um dos mentores do projeto, falou da música que fazem, das suas intenções e das referências (geográficas e culturais) que têm tudo a ver com o percurso da língua portuguesa.

José Peixoto “Uma nova música vincadamente portuguesa que visita o fado de uma forma inesperada”. Esta frase, que tem servido para apresentar o vosso projecto, significa exactamente o quê?
Quer eu quer o Fernando Júdice, quando idealizámos este grupo, sabíamos apenas que queríamos fazer música original em português, que se sentisse portuguesa (não pela integração de fórmulas do nosso folclore mas pela digestão, mais ou menos estilizada, que dele fazemos), e que de alguma maneira pudesse passar pelo fado. Nenhum de nós, enquanto músicos, teve um passado ligado ao fado. Sabíamos como fazer a música aproximar-se dele mas não queríamos fazer fado enquanto tal. Daí a escolha por uma voz que viesse do fado, o que, só pela presença desse canto original e único, viesse permitir essa tal visita de que falou atrás. Assim procurámos esse ponto de equilíbrio entre a expressão do canto do fado e uma música que, sem o ser, permitisse a evolução dessa expressão. O resultado revelou-se interessante e motivador.

Mas a vossa música vai muito para lá das fronteiras físicas do país, cruzando “a raiz ibérica com a dimensão atlântica do percurso lusófono”, como já alguém disse. É assim? Sim, procuramos a universalidade e esse conjunto (poético) de referências geográficas e culturais que têm a ver com o percurso da língua portuguesa no mundo e onde ela se estabeleceu e vive. Tudo sem nunca perder de vista o nosso ponto de partida ibérico.

Onde encaixa a “mestiçagem” nesta vossa nova proposta musical? Precisamente no resultado do convívio subjectivo e criativo com essas referências. Encontram-se estilizados (não importados) na música que fazemos elementos alusivos a todos esses lugares.

CarinhosoComo é que aconteceu o encontro dos quatro músicos – Ana Sofia Varela (voz), Fernando Júdice (baixo), José Peixoto (guitarra clássica) e Vicky (Bateria) – num projecto a que chamaram Sal? O Fernando Júdice e eu já há muito que nos conhecemos e já há muito que trabalhamos juntos. Antes, durante e depois da nossa passagem pelo Madredeus. Fizemos, em duo, no ano de 2002 o cd “Carinhoso” com música do compositor brasileiro Pixinguinha. O nosso convívio musical aí deu muito bons frutos. Desenvolvemos, a partir de uma maneira espontânea de juntar os nossos dois instrumentos, uma expressão original e única. E foi com essa motivação e com a garantia desses resultados que decidimos criar um projecto em que transportássemos essa expressão única para um contexto de música original. Foi esse o começo do Sal. Percebemos que uma percussão daria a cor e o vigor rítmico que queríamos imprimir à música e foi fácil chegar ao Vicky, percussionista com quem já tinha trabalhado no meu disco anterior (“Pele”, com Maria João). Foi-lhe pedido que desenvolvesse um instrumento que se situasse entre a bateria e a percussão. O resultado é surpreendente. Por fim a Ana Sofia Varela juntou-se ao grupo, aconselhada pelo letrista que connosco trabalhou, o Tiago Torres da Silva, porque achou que seria a voz certa. A primeira experiência que fizemos em estúdio com ela, confirmou essa opção. A Ana é fadista e cresceu na vila de Serpa onde se abriu ao canto alentejano e também à música vizinha da Andaluzia. Estas três vertentes confluem no seu canto dando um tom de exotismo que redimensionou a música que estávamos a trabalhar.

Sal porquê? De todas as ideias que surgiram para o “baptismo” do grupo, a que de alguma maneira simbolizava a nossa situação geográfica e cultural, a nossa relação com o oceano e a nossa atitude itinerante, era a que estava associada à palavra Sal. Foneticamente também se apresentava apelativa. Surgiu como uma evidência. Daí a escolha.

Desde a apresentação de “Sal”, em Março último, o grupo tem percorrido o país numa digressão que não passa apenas pelos palcos principais. A vossa intenção é chegar a que público? A todo o público? A nossa intenção é poder partilhar e mostrar a música e o concerto que fazemos ao máximo de público possível e nos locais considerados por nós adequados. Sabemos que não vamos ser nós a escolher o público. Vamos sim deixar que seja o público a escolher-nos.

Sal E como é que tem sido o acolhimento nos concertos em que já se apresentaram? Depois do efeito surpresa que a originalidade da nossa música provoca (digo isto sem qualquer tipo de presunção. É apenas baseado nos ecos que nos vão chegando…), há uma sintonia e uma compreensão emotiva evidente e o acolhimento surge natural e caloroso.

Alguma expectativa particular para o concerto em Coimbra? Todos nós já tocámos em Coimbra com projectos e em eventos muito diferentes e ninguém tem más memórias de nenhuma situação. Até podemos afirmar que pela sua cultura, dinamismo e tradição, Coimbra é uma cidade musical. O que por si já deixa adivinhar uma visita estimulante. Queremos oferecer a Coimbra o “desafio” do nosso concerto sabendo de antemão que o público dessa cidade é um público aberto e que nos irá receber bem.

E o mercado além fronteiras, é vossa intenção conquistá-lo? Naturalmente.


Entrevista de Lídia Pereira

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Saturday, October 20, 2007

A Sereia em Atividade

A revista portuguesa de música BLITZ publicou em 30 de março de 2007 a seguinte entrevista com Teresa Salgueiro. Assinada por Lia Pereira e com fotos da ‘Espanta Críticos’, a matéria parece oportuna às vésperas do lançamento do álbum La Serena



Teresa Salgueiro Sereia Activa

Em ano de pausa para os Madredeus, Teresa Salgueiro avança com dois projectos. Tudo é possível quando a serenidade não é pequena.

Um disco de MPB gravado com músicos brasileiros (Você e Eu) e o conjunto de espectáculos La Serena, erguido à volta de canções de Piaf, Amália, Fausto ou Cesária Évora são os novos projectos de Teresa Salgueiro.


Como teve a ideia de gravar um disco de Música Popular Brasileira?

Estava com o Madredeus em digressão. Tínhamos tocado em São Paulo e depois do concerto fomos a um pequeno bar onde estava um senhor a tocar violão. Acabei por cantar com ele e houve um antigo conhecido do grupo, sempre entusiasta das nossas visitas ao Brasil, produtor de uma big-band, que me disse: «você devia gravar um disco de música brasileira!». Voltámos a Portugal e ele mandou um mail para o site do grupo a dizer a mesma coisa. Sempre gostei muito de música brasileira mas nunca tinha concretizado a ideia – e foi o Pedro [Ayres Magalhães] que me incentivou. Passados 15 dias estava a chegar ao Brasil. Conheci o [director artístico] João Cristal, ele ouviu–me cantar as canções que eu conhecia e sugeriu-me mais algumas. No dia seguinte reuniu uma pequena orquestra: bateria, baixo e ele a tocar piano. Gravámos logo ali uma «demo». Em Maio voltámos a gravar, já com os músicos todos: bateria, guitarra acústica, baixo, contrabaixo, um saxofonista e clarinista, duas meninas a fazer coro e um violoncelista.


Tem também um projecto com o Lusitânia Ensemble, em que canta músicas de vários países, em concerto.

Durante a viagem que fiz com o Madredeus ao longo destes anos, havia sempre muita gente que nos vinha dizer: “então quando é que fazem uma canção em italiano ou francês?», mas por uma questão de agenda, e até de vocação do grupo, [nunca se proporcionou]. Agora que surgiu a oportunidade, fiz uma lista de canções de que gostava e o Pedro também me sugeriu algumas. Dessa lista bastante vasta, o [líder do Lusitânia Ensemble] Jorge Varrecoso escolheu as que mais gostava e arranjou-as. Há canções francesas, mexicanas, uma argentina e uma do cancioneiro sefardita [judaico] do século XVI [«La Serena»], que evoca a personagem de uma sereia e foi escolhida porque é ideal para fazer a ligação entre todas as canções – cantadas naqueles idiomas e também em português de Portugal, Brasil e África.


Texto: Lia Pereira Fotos: Espanta Espíritos/Rita Carmo


A gravadora de Teresa Salgueiro está fazendo a divulgação de seu novo álbum, La Serena, através de um belíssimo e-card - clique na fotografia acima e faça uma visita! ao fundo, ouve-se a canção “O Namoro”, do compositor lusitano Fausto.

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Wednesday, October 10, 2007

La Serena

A matéria saiu no jornal português Primeiro de Janeiro:

 Disco surge alguns meses depois da estreia ao vivo do espectáculo com o mesmo nome
 Teresa Salgueiro edita «La Serena»

«La Serena», o novo álbum de Teresa Salgueiro, é editado no dia 22 deste mês, em parceria com a Lusitânia Ensemble. Salgueiro recria e reinterpreta temas escolhidos de um repertório afectivo, que vai da música popular brasileira ao fado. Teresa Salgueiro edita no dia 22 o álbum “La Serena” em parceria com o Lusitânia Ensemble, uma colaboração em disco que surge alguns meses depois da estreia ao vivo do espectáculo com o mesmo nome. Em “La Serena”, Teresa Salgueiro recria e reinterpreta temas escolhidos de um repertório afectivo, que vai da música popular brasileira ao fado e da canção francesa ao cancioneiro sefardita.

Em Fevereiro, quando experimentou estas canções ao vivo, Teresa Salgueiro explicou que “a ideia era criar um concerto multilingue, que permitisse cumprir o sonho de cantar outro repertório de canções” Os 19 temas que compõem “La Serena”, entre os quais “Estranha forma de vida” (Amália Rodrigues/ Alfredo Duarte), “Velha Tendinha” (Raul Ferrão), “Unforgettable” (Irvin Gordon) ou “Leãozinho” (Caetano Veloso), têm arranjos de Jorge Varrecoso para cordas, piano e percussão. O álbum foi gravado em San Sebastian, Espanha, entre Maio e Junho deste ano e conta com produção de Pedro Ayres Magalhães, parceiro de Teresa Salgueiro nos Madredeus.

A ideia de “La Serena” surgiu no Verão do ano passado em plena digressão dos Madredeus, com Teresa Salgueiro a convidar Jorge Varrecoso, do Quinteto Lusitânia, a fazer novas versões de temas por si escolhidos para violino, piano e percussão. Assim nasceu o Lusitânia Ensemble, um projecto musical para a voz de Teresa Salgueiro, que tem como elo de ligação a história de uma sereia (La Serena) que encanta marinheiros com canções de várias latitudes. Nessa viagem da sereia pelo mar, Teresa Salgueiro passa ainda por “Amanhã”, do Duo Ouro Negro, “Mar Azul”, interpretado por Cesária Évora, ou “La vie en rose”, de Edith Piaf. Este será o segundo registo que Teresa Salgueiro editará este ano, depois do álbum a solo “Você e Eu”, com temas da música popular brasileira e da bossa nova.

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Saturday, October 6, 2007

‘La Serena’, novo álbum de Teresa Salgueiro, chega às lojas em outubro

Teresa Salgueiro & Lusitânia Ensemble

A notícia foi divulgada pelo DIÁRIO DIGITAL em 05 de outubro de 2007, e gentilmente repassada por Sérgio Freitas, webmaster dos sites Teresa Salgueiro - alma e voz e Madredeus - O Sonho:

Teresa Salgueiro lança novo disco a 22 de Outubro

Teresa Salgueiro vai lançar «La Serena» a 22 de Outubro. O disco foi gravado ao lado do Lusitânia Ensemble e a edição é da Farol.

Ao todo, são dezanove versões de nomes como Fausto, Caetano Veloso, Amália Rodrigues e Cesária Évora. Este é o alinhamento:

1.La Serena - Tradicional em Ladino – Cancioneiro Sefardita
2. Velha Tendinha - Raul Ferrão
3. O Namoro - Viriato Cruz / Fausto
4. Leãozinho - Caetano Veloso
5. Vuelvo Al Sur - Fernando E.Solaman / Astor Piazzola
6. La Vie En Rose - Edith Piaff/Louis Guglielmi
7. Lá Vai Lisboa - Raul Ferrão (intrumental)
8. Nome de Rua - David Mourão Ferreira / Alan Oulmain
9. Amanhã - Raul Indipwo /Milo Macmahon
10. Se Fossem Iguais a Você - Vinicius de Moraes/António Carlos Jobim
11. Caruso - Lúcio Dalla
12. Paloma Negra - José Alfredo Ménez / Tomás Méndez Sosa
13. Velha Infância - Arnaldo Antunes/Carlinhos Brown/Marisa Monte
14. Mar Azul - Cesária Évora/ B’leza
15. Estranha Forma de Vida - Amália Rodrigues/ Alfredo Duarte
16. A Casa da Mariquinhas - Alberto Janes (Instrumental)
17. Avec le Temps - Léo Ferré
18. Unforgettable - Irving Gordon
19. Somewhere Over The Rainbow - Harold Arlen (Instrumental)

05-10-2007 - DIÁRIO DIGITAL

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Wednesday, October 3, 2007

À Sombra da Memória

Lançamento do livro 'À Janela da Memória', de Sérgio FreitasEm tempos nos quais alguns escritores louvam-se a si mesmos por não terem quaisquer ligações com o passado, À Janela da Memória surge como uma esperança nova.

Este primeiro trabalho de Sérgio Freitas é repleto de razões para o encantamento do leitor. O autor é poeta e fotógrafo, aprendiz em duas artes nas quais ninguém jamais é mestre e sempre há o que se cultivar, o que se aprender e reinventar. Esse talento multifacetado oferece nuances que tornam o trabalho de Sérgio Freitas algo único em nossa geração tão acostumada a respostas rápidas e vazias, a uma vida célere e quase sempre pobre de sentido.

Em Sérgio Freitas, o poeta raramente é um narrador. Sua poesia é composta de breves olhares sobre a experiência humana – não por acaso, as paisagens e objetos em sua poesia pairam ao redor dos sentimentos, como se suspensas no momento da escrita para que se possa penetrar com mais leveza nessas sensações indizíveis que a alma sente e não explica jamais. Por isso o ritmo de sua poesia é apenas sugerido, nunca marcado ou imposto, mas está lá, presente – é como um pulso que só sentimos quando nele prestamos atenção absoluta, mas que sustenta a vida e sem o qual tudo desmoronaria.

São poemas que sugerem, instigam, sem jamais dar respostas – algo que, enfim, jamais coube à poesia fazer. Por isso há esse interlocutor em diversos poemas, esse “tu” indefinido com quem o eu-lírico dialoga constantemente: é o poeta vivo e, a um tempo, sua própria alma que ele imagina ausente; é também a alma do leitor, que acompanha esses momentos em suspensão como quem se deslumbra com a imagem captada por uma câmera etérea feita de palavras. O fotógrafo Sérgio Freitas, por sua vez, faz poesia partindo das sutilezas presentes nas imagens que capta. Com um olhar de poeta, percebe, no mais estático cenário, todos os momentos que por ali transitaram, o passado ali contido, que jamais lhe escapa ao sentimento. Em suas janelas isoladas, sem a interferência humana, vêem-se multidões de rostos e de histórias de vida que por ali passaram. Ele convida-nos a debruçarmos nossas lembranças onde outros tantos, que por ali estiveram, fizeram o mesmo; mirando as mesmas paisagens de outrora, ou vendo através daquelas janelas panoramas da nossa própria alma, repensamos a fragilidade da vida e seu caráter passageiro.

À Janela da Memória é a esperança nova de que está a se consolidar uma nova geração de artistas que, como Sérgio Freitas, sabe que não se constrói um ser humano em plenitude simplesmente ignorando o pretérito, esquivando-se da memória ou fingindo-se fruto de uma contemporaneidade que se torna passado também, a cada dia. Seus poemas de instigantes imagens e suas fotografias carregadas de lirismo são convites ao leitor para que conheça não só a si mesmo um pouco mais, mas também esse artista de talento que as Letras Portuguesas ganham com o lançamento deste livro.

Robertson Frizero Barros

*O livro “À janela da Memória”, de Sérgio Freitas, será lançado em 05 de outubro de 2007, na cidade do Porto, Portugal.  O autor é conhecido dos fãs do Madredeus por seu trabalho de divulgação do grupo em websites como Madredeus - O Sonho e Teresa Salgueiro - Alma e Voz.  Ele também mantém um blog com fotografias e textos, o Superlativo Relativo Sintético. [veja links no menu ao lado]

**Clicando na imagem, pode-se acessar o site da editora.  “À Janela da Memória” também estará à venda, a partir de 05 de outubro de 2007, no site da FNAC.pt e em livrarias da grande Porto, Portugal.

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