Monday, June 9, 2008

Madredeus: regresso ao trabalho

07 Junho 2008 - 00h00 - Correio da Manhã:

Escolhida nova voz e trabalho em novo material

Madredeus: regresso ao trabalho

Pedro Ayres Magalhães e Carlos Maria Trindade - 1995

Pedro Ayres Magalhães e Carlos Maria Trindade, os dois ‘sobreviventes’ do projecto Madredeus, estão já a trabalhar em material para um novo disco, ao mesmo tempo que seleccionam novos músicos e vozes para o grupo.

‘Neste momento estamos em ‘workshop’ de composição, numa fase ainda muito experimental e para a qual estamos a trabalhar com vários músicos e cantoras’, adiantou à Vidas Carlos Maria Trindade.

Quanto ao lugar deixado vago por Teresa Salgueiro, em 2007, ainda não há certezas: ‘Estamos a trabalhar com vários cantoras e ainda em processo de formação, mas nada está decidido. Ainda não estamos centrados numa única pessoa’, avançou o músico.

Certo é que destas sessões de ‘treino’ poderá já sair algum do material para incluir no próximo disco dos Madredeus, ainda sem data precisa de edição. ‘A vertente da composição está a ser desenvolvida, mas ainda é cedo para saber quando vai sair o disco. Algumas das ideias que estão em cima da mesa poderão vir a ser aproveitadas’, afirmou.

Os Madredeus, grupo português que mais projectou o nome de Portugal no Mundo, não editam um novo registo de originais desde 2005.


Miguel Azevedo/Vanessa Fidalgo
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Wednesday, June 4, 2008

E Teresa sambou…

alt : http://www.youtube.com/v/3daavB5Vxbw&hl=en

O dia mostrou-se dos mais ingratos para um espetáculo como aquele: noite de terça-feira fria e úmida como

costumava ser os outonos porto-alegrenses de antigamente. O teatro escolhido, talvez o melhor da cidade, tem a desvantagem de ser distante do Centro e de difícil acesso por transporte coletivo. E o resultado foi visto na platéia: o Teatro do SESI não alcançou sequer a lotação total da platéia baixa. Mas nada disso tem relação alguma com o que se viu no palco.

Teresa Salgueiro, a voz dos Madredeus por mais de vinte anos, trouxe ao Brasil novamente este que é o seu primeiro espetáculo solo, Você e Eu. O projeto nasceu durante a última turnê dos Madredeus no país, quando Teresa travou os primeiros contatos com o maestro João Cristal. Ainda como vocalista do grupo, o álbum foi gravado no Brasil em três viagens de Teresa Salgueiro a São Paulo - em janeiro, maio e outubro de 2006 -, com produção de Pedro Ayres Magalhães, fundador do Madredeus e um dos descobridores da cantora quando ela tinha apenas dezessete anos.

Vinte e dois anos depois, a Teresa Salgueiro que se apresentou na noite de 3 de junho de 2008 no palco do Teatro do SESI, em Porto Alegre, é não mais a voz do Madredeus - ainda que tal imagem jamais será de todo apagada -, mas uma voz portuguesa a firmar-se como uma das maiores cantoras do cenário internacional. Não por acaso Você e Eu é um álbum bem sucedido dentro de sua proposta - música brasileira com um delicioso acento jazzístico - e seus espetáculos têm lotado casas de espetáculo mesmo nos países em que não se fala o português. Sua apresentação para uma platéia pouco expressiva diante do tamanho do teatro, com capacidade para quase mil e quinhentas pessoas, não foi menor em entusiasmo ou qualidade: Teresa desfilou todo o repertório do projeto seguinto quase à risca o alinhamento do álbum. Sua voz singular, sempre afinada, imprimiu emoções novas - de arrepiar - em temas mais tristes como Risque (Ary Barroso) e Insensatez (Vicinius de Moraes e Antônio Carlos Jobim). Mas não se pode negar seu talento em escolher os músicos que a conduzem nessa viagem às canções brasileiras dos anos 1930 a 1970: o Septeto João Cristal, graças ao talento de seu maestro e dos arranjos compostos especialmente para esse álbum, mostrou sua qualidade musical não apenas acompanhando Teresa, mas também em números instrumentais generosamente inseridos no espetáculo pela cantora. Um deles, uma longa jam session sobre o tema de Corcovado (Tom Jobim), arrancou aplausos entusiasmados da platéia.

Mas o palco era de Teresa Salgueiro. Sua presença, que já impressionava quando à frente dos Madredeus, ganhou mais graça e leveza em um repertório que parece calar fundo ao coração da intérprete. Criticada por alguns fãs do grupo português quando lançou esse Você e Eu, Teresa sentiu-se na obrigação de explicar em cena as razões afetivas que a levaram a escolher aquelas canções brasileiríssimas para seu primeiro álbum solo. Não precisava - ouví-la entoar Valsinha (Vinicius de Moraes e Chico Buarque) ou Estrada de Sol (Dolores Duran e Tom Jobim), vê-la ensaiar passos de samba na arrebatadora interpretação de Você e Eu (Vinicius de Moraes e Carlos Lyra) - canção, aliás, que ela cantou em público pela primeira vez nos palcos brasileiros durante a turnê de 1995 dos Madredeus - era prova suficiente de que estávamos a ver uma cantora feliz consigo mesma.

No bis, para uma platéia que a aplaudia de pé, Teresa Salgueiro apresentou as “jóias da coroa” - as belíssimas Modinha (Vinicius de Moraes e Tom Jobim), talvez sua mais tocante interpretação da noite, e Se todos fossem iguais a você (Vinicius de Moraes e Tom Jobim), canção cuja letra certamente ecoava os sentimentos daqueles poucos portoalegrenses que presenciaram um espetáculo digno de encher qualquer teatro. Pérolas aos poucos. Sorte dos que enfrentamos o frio e o cansaço de um dia de trabalho para ouvir uma das melhores vozes femininas portuguesas da atualidade.

                                                                                                                         Robertson Frizero Barros

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Teresa Salgueiro em Porto Alegre

Música | 03/06/2008 | 23h50min - ZERO HORA/Porto Alegre


Teresa Salgueiro mostra clássicos da MPB em show na Capital


Cerca de 300 pessoas acompanharam a apresentação da cantora portuguesa na noite desta terça-feira

Um público de apenas 300 testemunhas conferiu na noite desta terça-feira o show de Teresa Salgueiro no Teatro do Sesi, na Capital. Em sua terceira vinda à Porto Alegre, desta vez a cantora portuguesa não interpretou as canções melancólicas e etéreas do grupo Madredeus — Teresa voltou à Capital agora para mostrar os clássicos da MPB de seu álbum solo Você e Eu.

Acompanhada pelo Septeto João Cristal, excelente conjunto capitaneado pelo pianista e arranjador, a vocalista mostrou, em pouco mais de uma hora e meia, um repertório de sucessos da música brasileira que incluiu sambas (Na Baixa do Sapateiro, Maracangalha e O Samba da Minha Terra), clássicos da bossa nova (Inútil Paisagem, Insensatez, Triste e Se Todos Fossem Iguais a Você) e até chorinho (Lamento).

O show começou com o grupo de músicos brasileiros mostrando todo o seu virtuosismo em uma versão instrumental de Wave, em que se sobressaíram o saxofonista Nailor Proveta, o baterista Daniel de Paula e o pianista João Cristal.

Usando um vestido tomara-que-caia verde, com flores bordadas, Teresa Salgueiro conduziu desfile de hits da música brasileira com sua voz cristalina e afinadíssima. Soprano que tem pleno domínio técnico da sua voz, Teresa acompanhou com sobriedade a levada jazzística do grupo.

O suingue e a elegância dos arranjos e a bela voz da intérprete deram nova roupagem à temas bastantes conhecidos, compensando a falta de ousadia da seleção musical.

Destaque para a versão instrumental de Corcovado, com a qual os músicos empolgaram a reduzida platéia, e para os passos de samba que a artista portuguesa arriscou em Você e Eu. Longe da tristeza noturna do universo sonoro de sua antiga banda, Teresa Salgueiro parece que está buscando na riqueza da música brasileira revelar sua face solar.


Roger Lerina | roger.lerina@zerohora.com.br

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