Monday, August 24, 2009

Madredeus: o novo despertar

As crises têm feito bem aos Madredeus. Quando, em 1996, os fundadores do grupo ficaram reduzidos a Pedro Ayres Magalhães e a Teresa Salgueiro com as saídas do violoncelista Francisco Ribeiro e do acordeonista Gabriel Gomes (Rodrigo Leão já tinha deixado o projecto dois anos antes) temeu-se o fim de que se falava há algum tempo. Ele não aconteceu e Pedro Ayres Magalhães reinventou os Madredeus num novo formato instrumental, mais angelical, sem violoncelos ou acordeões (mas com a novidade do baixo acústico). Em dois álbuns, “O Paraíso” e “Movimento”, a coisa rendeu.
A especulação sobre a morte dos Madredeus regressou quando Teresa Salgueiro anunciou a sua saída do projecto, onde esteve praticamente duas décadas. Mas o vaticínio mais pessimista voltou a falhar, o que tinha acabado era apenas mais um ciclo. Pedro Ayres Magalhães tinha outro coelho da cartola para tirar, um imprevisível acasalamento entre os ritmos lusófonos afro-brasileiros e um tipo de rock mais sinfónico, como mostrou o penúltimo álbum “Metafonia”.
Como a lógica matemática da multiplicação entre parcelas negativas que equivale a um resultado positivo, os males dos Madredeus têm servido para debelar outros males e dar a volta por cima. Aquilo que era uma sensação de abismo e de impossibilidade de ultrapassar a grandiosidade das três primeiras obras discográficas (em 1995-96), foi revolvido com outro mal, as várias saídas internas, e com a consequente urgência de uma renovação que Ayres Magalhães conseguiria engendrar. E aquilo que era a meio desta década um problema de desgaste e de esvaziamento dentro da música dos Madredeus teve a sua luz súbita com o adeus de Teresa Salgueiro e com a obrigação de uma nova remodelação.
Tão estranho quanto o actual corpo dos Madredeus (que com A Banda Cósmica se tornou num bizarro decateto que vai da guitarra eléctrica e bateria à harpa e a duas vocalistas) é a rapidez invulgar com que o grupo lança novo álbum de originais, apenas um ano depois do anterior “Metafonia” - só por uma vez isso aconteceu antes, em 1994-95, com os álbuns “Espírito da Paz” e a banda sonora “Ainda”.
Mesmo dentro deste novo ciclo sem Teresa Salgueiro, notam-se diferenças grandes entre “Metafonia” e “A Nova Aurora”. O primeiro, do ano passado, era mais amulatado e transcontinental; o segundo, “A Nova Aurora”, é claramente mais europeizado e menos rítmico.
No resto, o novo disco é a confirmação de que esta é a fase mais surrealista do grupo, possivelmente pouco empática para o seu público tradicional. Filosoficamente inspirada na génese do universo e do ser humano, “A Nova Aurora” é uma comunhão entre os teclados new age de Carlos Maria Trindade (que está em grande plano neste álbum), o virtuosismo do rock progressivo e a sonoridade world-pop dos Madredeus.
“A Nova Aurora” é de uma beleza menos insinuante, de uma ternura menos ostensiva. O álbum funciona por deixas, numa forma tímida mas irreverente. Há uma recuperação de um espírito rebelde que estava um pouco morto nos demasiado institucionalizados Madredeus. E recupera-se uma alma aventureira no grupo de Pedro Ayres, com um rock provocadoramente desacelerado, que só é contrariada pelo risco calculado de se ter duas cantoras com tonalidades vocais puras de cristal demasiado semelhantes a Teresa Salgueiro.
Pedro Ayres Magalhães voltou a inventar um novo som. Apesar do défice de grandes canções e de grandes momentos, a sua ideia está mais explícita neste disco, mesmo que continue a parecer extraterrestre.
Gonçalo Palma - publicado pelo Cotonete.pt
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Wednesday, August 5, 2009

A Nova Aurora: Madredeus & a Banda Cósmica lançam novo CD

Os Madredeus & a Banda Cósmica acabam de lançar um novo álbum, intitulado “A Nova Aurora”.  O lançamento pegou de surpresa os fãs de todo o mundo, pois aparentemente nenhuma notícia desse segundo álbum havia surgido na mídia portuguesa.  O álbum já está à venda em Portugal e em breve deve ser lançado em outros mercados.

Leia abaixo o texto de apresentação desse novo trabalho, assinado por Pedro Ayres Magalhães.

Novo álbum do Madredeus & A Banda Cósmica: A Nova Aurora

Novo álbum do Madredeus & A Banda Cósmica: A Nova Aurora

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Os Madredeus & A Banda Cósmica, apresentaram-se ao público português em Novembro de 2008, com o duplo cd “Metafonia” e uma série de concertos, no Teatro Ibérico, em Lisboa, que em Junho foram publicados em DVD.
A Banda Cósmica, constituída por músicos portugueses, brasileiros e angolanos, apresentou este seu projecto do futuro da música no Atlãntico Sul, incorporando no seu repertório em lingua portuguesa canções escritas para as antigas formações dos Madredeus por Pedro Ayres Magalhães e Carlos Maria Trindade e uma dúzia de novas canções, que pretenderam ligar a Europa, a África e o Brasil, num discurso contemporâneo, de ritmo, poesia e musicalidade.
Aproveitando o tempo livre da primavera de 2009, o grupo decidiu voltar a estúdio, para gravar um novo disco de originais.
Chama-se “ A Nova Aurora ”, e é dedicado a cantar a maravilha da evolução espiritual da Humanidade, à medida que vai descobrindo a dimensão do Universo físico em que se encontra o Sistema Solar.
Com os instrumentos que reunimos na Banda Cósmica, com o som que criámos, pensámos desenhar uma cantata popular sobre a vida do homem no planeta Terra, para lá da religião, da política das ideias e das nações e da dependência dos bens materiais.

guês em Novembro de 2008, com o duplo cd “ Metafonia” e uma série de concertos, no Teatro Ibérico, em Lisboa, que em Junho foram publicados em DVD.
A Banda Cósmica, constituída por músicos portugueses, brasileiros e angolanos, apresentou este seu projecto do futuro da música no Atlãntico Sul, incorporando no seu repertório em lingua portuguesa canções escritas para as antigas formações dos Madredeus por Pedro Ayres Magalhães e Carlos Maria Trindade e uma dúzia de novas canções, que pretenderam ligar a Europa, a África e o Brasil, num discurso contemporâneo, de ritmo, poesia e musicalidade.
Aproveitando o tempo livre da primavera de 2009, o grupo decidiu voltar a estúdio, para gravar um novo disco de originais.
Chama-se “ A Nova Aurora ”, e é dedicado a cantar a maravilha da evolução espiritual da Humanidade, à medida que vai descobrindo a dimensão do Universo físico em que se encontra o Sistema Solar.
Com os instrumentos que reunimos na Banda Cósmica, com o som que criámos, pensámos desenhar uma cantata popular sobre a vida do homem no planeta Terra, para lá da religião, da política das ideias e das nações e da dependência dos bens materiais.
O Homem na sua escala de ser vivo e consciente, recentíssimo episódio da história do planeta e da sua origem, uma questão cada vez mais documentada contemporâneamente. graças ao estudo apaixonado de gerações de cientistas curiosos por conhecerem as origens e os limites do nosso Universo.
Decidimos chamar a atenção para certos temas da consciência universal, de forma poética, com a Banda Cósmica.
As onze canções de “A Nova Aurora “, vivem separadamente, mas também poderiam consistir nas canções de um musical, duma peça teatral, ou dum filme, já que existe uma possível narrativa que as une.
Seria a história de seis biliões de pessoas, que se encontram a viver há muito pouco tempo num vasto e antigo universo, cuja natureza e dimensão só agora estão a descobrir.Como crianças, presumem a sua solidão e ambicionam viajar por esse universo, para o conhecer e tranquilizar a sua curiosidade vital, para encontrar alguém também consciente e acabar com a solidão da humanidade…, Mas essa  viagem dura muito mais tempo do que o tempo de vida que cada um tem…
Só que como a viagem já começou… a história  vai acabar bem.

Pedro Ayres Magalhães

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